k_O cultivo de flores de plastico
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O Cultivo de Flores de Plástico

«No fundo é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos.

Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco dos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam, ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da sua vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. E eu? Eu sou o Jorge, também invisível como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa que está a arrefecer há tantos anos.»

Os direitos de autor desta obra revertem na totalidade para a associação CASA — Centro de Apoio ao Sem-Abrigo.

«Uma das vozes mais criativas da nova literatura em língua portuguesa.» | Mia Couto, escritor.

«Em diálogos precisos, líricos mas nunca sentimentais, estas pessoas perdidas de si mesmas, e das suas memórias, encontram-se e criam, do nada, um nexo forte e uma razão para continuar em frente. » | José Mário Silva, Expresso.

«Afonso Cruz retrata a miséria e a descrença de quatro almas através da sua escrita hábil, aqui transformada em diálogos que são, eles próprios, a força maior dos personagens.» | Carlos Eugénio Augusto, Rua de Baixo.

«[U]m livro que certamente não esqueceremos, refletindo, uma vez mais, o talento inato do escritor que tem ganho inúmeros prémios merecidamente.» | Jorge Navarro, A Roda dos Livros.

«ADVERTÊNCIA: não inicie a leitura deste livro se não tiver tempo para o ler de imediato, e de seguida. A interrupção pode provocar ansiedade. Muito bom!» | Ana Pinto Lourenço, Locus Delicti.

«Só não leva as 5 estrelas porque soube a pouco, queria que fosse maior.» | Sonhar de Olhos Abertos.

«O texto é soberbo. De uma profundidade brutal, sem banalidades, com uma poesia e olhar atentos ao mundo.» | Ana Soares, Educar em Português.

«Não é só talento, é uma incrível capacidade de surpreender, de nos levar em poucas linhas a passar da introspeção ao riso, da angústia ao reconhecimento de certos padrões sociais que nos envergonham.» | OMG! She’s a book reviewer.

Editora: Alfaguara (2013)
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