Banda Sonora Para Um Regresso a Casa
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Banda Sonora Para Um Regresso a Casa

Os vegetarianos e os nudistas. Os cães e os escritores vivos. Os telefones, o silicone e o socialismo. As raparigas demasiado magras. O Benfica. As mulheres infiéis. O cinema fantástico, os anos 80 e a bem-aventurança em geral. Joel Neto parece colecionar inimigos ao mesmo ritmo a que vai escrevendo.

E, no entanto, garante que tem coração – e que, no limite, até é capaz de comover-se. Neste volume reúnem-se as obsessões e os ódios, os delírios e os afetos daquele que é, hoje, um dos principais cronistas portugueses. Um livro que se lê como quem ouve um disco. A caminho de casa.

«Um casamento pode sobreviver a um homem infiel e pode sobreviver a uma mulher infiel também. Coisa diferente é o amor. Um homem pode ser infiel à sua mulher e, no entanto, amá-la eterna e incondicionalmente. Uma mulher infiel já não ama o seu marido.»

«Para que serve um cão? Para que serve um bicho completamente estúpido, tantas vezes agressivo, que cheira mal, que ladra alto, que nos rouba duas horas por dia só por causa do cocó – e que, além de tudo, volta e meia está obstipado, fazendo-nos andar, não duas, mas quatro horas a subir e a descer a rua com um saquinho de plástico na mão?»

«Já não gosto de futebol. Deste futebol. O meu futebol é o futebol dos golos de bandeira e dos penáltis roubados, dos copos pela noite dentro e das zaragatas à segunda-feira de manhã. No meu futebol, vivem-se a mais delirante euforia e a mais miserável angústia. Vivem-se o ódio e o amor em doses iguais – e, quando alguém nos pergunta se é loucura o que isso é, nós erguemos bem alto o copo, citamos Goethe (não citamos nada) e bebemos a Bruno Paixão.»

«Há na sua prosa qualquer coisa que lembra Raymond Carver, que sabemos ter influenciado outros desta mesma geração portuguesa: a brevidade da frase claríssima na sua simplicidade vocabular, a estranheza de ser e estar no seu próprio meio e tempo.» | Vamberto Freitas, Açoriano Oriental.

«[Joel Neto] É uma das poucas coisas que valem a pena na nossa imprensa escrita. […] Não temos petróleo, mas temos tipos como o Joel.» | Pedro Boucherie Mendes, na apresentação.

Editora: Porto Editora (2011)
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