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Tiago Veiga — Uma biografia

Obra distinguida com o Prémio Autores SPA/RTP, 2012.

Tiago Veiga cresceu numa aldeia do Alto Minho em 1900, e nesse mesmo lugar viria a morrer em 1988. Bisneto, pelo lado paterno, de Camilo Castelo Branco, e ainda muito pouco conhecido, Veiga protagonizaria uma singularíssima aventura poética na história da literatura portuguesa.

Apesar de se ter manifestado quase sempre refratário à publicação dos seus escritos e mais ou menos arredio dos movimentos da chamada «vida literária», não falta quem comece a saudar em Tiago Veiga a incontestável originalidade de uma voz, e o poderio impressionante que lhe assiste.

A sua biografia, redigida aqui por Mário Cláudio que o conheceu pessoalmente, não deixará de configurar de resto matéria de suplementar interesse pela relevância das figuras com que Veiga se cruzou, e entre as quais se destacam poetas, como Jean Cocteau e Fernando Pessoa, Edith Sitwell e Marianne Moore, Ruy Cinatti e Luís Miguel Nava; políticos, como Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes; pensadore,s como Benedetto Croce; e até simples ornamentos do mundanismo internacional, como a milionária Barbara Hutton. A isto acrescerá a crónica de um longo percurso de viajante civilizado, e testemunha de vários acontecimentos significativos do seu tempo. Tudo isto imprimiria à sua existência, neste livro minudentemente relatada por Mário Cláudio, uma vigorosa espessura romanesca.

A obra de Tiago Veiga, da qual se publicariam postumamente três títulos apenas, e nem sequer os de maior importância, ficará a partir de agora mais aberta à curiosidade do grande público.

Bisneto de Camilo Castelo Branco, e autor de uma obra poética fragmentária, mas originalíssima, Tiago Veiga (1900-1988) constitui caso singular na literatura portuguesa. Europeu por vocação, e interlocutor de Fernando Pessoa, Edith Sitwell, Jean Cocteau, W. B. Yeats, Benedetto Croce, José Régio, Marianne Moore, ou Luís Miguel Nava, o homem aqui biografado ficará certamente como invulgar testemunha do século em que viveu.

«É impossível não ficarem na história da literatura portuguesa como dois clássicos do género biográfico os novos livros de Maria Teresa Horta e Mário Cláudio.» | João Céu e Silva, Notícias Sábado, suplemento Diário de Notícias.

«[...] um livro fascinante. [...] Desafia as fronteiras entre biografia, romance, auto-ficção, ensaio histórico e jornalístico, numa montagem de estilos que, justapostos ou mesmo fundidos, se lêem de um sorvo. É tocante a forma como nos devolve um retrato de nós próprios enquanto portugueses. Tiago Veiga não é Mário Cláudio. Somos nós.» | Rui Lagartinho, Público.

«[O] livro de Mário Cláudio é uma obra maior, apaixonante, pintalgada com algum bom humor, quase um compêndio de como se vivia em Portugal durante uma grande parte do século XX. Um grande livro, a não perder.» | António Mendes Nunes, jornal i.

«Mário Cláudio, autor de romances que são grandes biografias, constrói aqui uma biografia que é em si mesma um espantoso romance, pela singularidade do edifício narrativo, pelo modo como nos faz vivenciar o século XX, pelo rigor da linguagem, pela ansiedade de conhecimento vertida em mais de 700 páginas carregadas de diferentes propostas de leitura.» | Valdemar Cruz, Expresso.

«É bem arquitectado, espesso, forte, tanto que os leitores se quedarão em dúvida, e essa é ainda a sua característica pós-moderna: a do carácter dubitativo do escrito – como o de toda a biografia.» | Maria Alzira Seixo, Jornal de Letras, Artes e Ideias.

«[…] Encontramos o esteta Mário Cláudio num elevado patamar, investindo na intervenção sóbria e certeira. […] Esta “biografia”, intimamente fradiquiana, é uma autobiografia alternativa. Como um dia Eça fez, Mário Cláudio recriou-se num ser fascinante e impossível, esquivo cosmopolita e príncipe da solidão» | Fernando Venâncio, LER.

«[...] a biografia de Tiago Veiga é não só um livro grande [...] mas também um grande livro, um deliberado exercício de homenagem à literatura em tempos de actualidade devorante. Com efeito, a sua efectiva extensão não é mero tamanho, mas sim o modo exacto de transmitir a medida do tempo [...]. Nunca talvez se tenha visto, como neste livro, alguém envelhecer e morrer sob os nossos olhos, dia a dia, de forma ao mesmo tempo tão imperceptível e, afinal, tão evidente e fatal». | Manuel Villaverde Cabral, Jornal de Letras, Artes e Ideias.

«E assim criou Mário Cláudio o “mito” Tiago Veiga, recriando uma nova teoria da heteronímia, que deverá ser obrigatoriamente tida em conta na história da literatura portuguesa do século XXI.» | Miguel Real, Jornal de Letras, Artes e Ideias.

«[É] um livro singularíssimo em que tudo se encontra: a tragédia, o drama, a ironia, a ilusão, a realidade, pessoas e fantasmas… Deparamo-nos com a sociedade portuguesa, nas suas forças e fraquezas, uma vez que Tiago Manuel dos Anjos, aliás, Tiago Veiga é uma personagem inclassificável e inesperada, que parece vocacionada para se encontrar com o mundo, mas que, no entanto, acumula desencontros. Estamos, no fundo, diante de um apelo crítico sobre Portugal… Daí ser um livro de leitura indispensável». | Guilherme d’Oliveira Martins, PNET Literatura.

Editora: Publicações Dom Quixote (2011)
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