Rosa
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Rosa

Rosa é o terceiro e último volume da Trilogia da Mão, no qual o escritor abordou a vida da barrista Rosa Ramalho. Sobre o livro, disse Mário Cláudio: «Eu procurei fazer dela uma figura pluridimensional.

No fundo, a Rosa Ramalho é a figura do norte português, é a fêmea do Norte de Portugal que vem desde a Idade Média, que se prolonga pelos nossos dias, e que naquela mulher específica de S. Martinho de Galegos, de certa forma, encarnou com uma violência tal que permitiu que se erigisse como uma figura tutelar na nossa neutralidade.» De facto, o autor consegue transmitir o retrato duma figura não só pluridimensional, mas única no nosso meio cultural. Figura franzina, pequena e de olhos ladinos, de resposta trocista na ponta da língua afiada, como é próprio de quem vive num meio natural inóspito, é uma personagem verdadeiramente telúrica, uma força da natureza que fazia o milagre dos bonecos de barro, que lhe saíam das mãos prodigiosas e da mente ensimesmada.

Rosa fazia bonecos desde muito nova, quando a mãe a chamava guardava-os no seio, como tesouro. Quando se casou com um moleiro aos 16 anos, dedicou-se aos 7 filhos que teve e à vida dos moinhos, nunca mais fazendo bonecos. Só aos 68 anos, depois de enviuvar, se dedicou novamente aos seus bonecos fantasiosos e dramáticos. Mulher inteligente, ensinou tudo que sabia à sua neta Júlia Ramalho, filha de um filho que lhe morreu, para que a sua arte não acabasse.

O primeiro volume desta trilogia versa sobre o pintor Amadeo Souza-Cardoso (Amadeo), e o segundo volume sobre a violinista Guilhermina Suggia (Guilhermina). Através desta abordagem à vida e obra dos três artistas nortenhos, Mário Cláudio tipificou distintos estratos sociais (aristocracia, burguesia, povo) e o «imaginário nacional» entre o virar do século XIX e meados do século XX.

Nesta trilogia, o autor romanceia o próprio processo de biografar, através de uma escrita fragmentada, mais sensorial do que objetiva.

Editora: Imprensa Nacional-Casa da Moeda (1988)
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