Retratos de Camões (2014)
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Retratos de Camões

«Podemos assim concluir, com alguma segurança, que a perda do olho direito marcou psicologicamente o nosso poeta. Isto é, o mesmo sinal fisionómico que depois caracterizou toda a sua iconografia começa por ter uma certa relevância na própria obra do autor.

De resto, fazendo a agulha para um tema que também lhe era caro, o da memória, uma das suas redondilhas, que até pode ter sido escrita antes da perda do olho direito, fala da intensificação da faculdade de recordar em quem tenha perdido a vista:

Como aquele que cegou

é cousa vista e notória

que a natureza ordenou

que se lhe dobre em memória

o que em vista lhe faltou…»

 

«Vasco Graça Moura manteve durante a sua vida de homem de cultura uma grande admiração por Camões – e podemos dizer que essa sua relação permitiu uma melhor compreensão do lugar excecional do épico na literatura portuguesa.» | Guilherme d’Oliveira Martins, A Vida dos Livros (blogue do Centro Nacional de Cultura).

Editora: Guerra & Paz Editores (2014)