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Os Naufrágios de Camões

Timothy Rassmunsen enceta uma correspondência com Mário Cláudio, na qual defende que o autor d’Os Lusíadas não teria sobrevivido ao naufrágio no delta do Mekong, e o capitão da nau onde viajavam, Bartolomeu de Castro, se teria feito passar por ele, dando continuidade à epopeia. Tão insólito arrazoado, mesmo que alegadamente apoiado nos escritos do explorador britânico Richard Burton, enche Mário Cláudio de desconfiança, mas dá-lhe a ideia de elevar o transtornado Timothy a figura de romance.

Uma tragédia impede-o, porém, de perseguir o objetivo. Falho de personagem, vira-se o escritor para Burton, o descobridor das Nascentes do Nilo e tradutor d’Os Lusíadas, narrando-lhe as peripécias na busca de uma das musas do poeta português, e da localização da Ilha dos Amores, ou em delírios mediúnicos nos quais Burton encarna Camões, e conversa com o fantasma de Bartolomeu de Castro. É então altura de dar voz a Ruy, o escrivão de bordo da nau anual da China — aquela que viria a naufragar —, o único que poderá afinal esclarecer-nos sobre o que realmente aconteceu.

Poderosamente imaginativo, polémico e inteligente, com um trio de personagens irresistíveis, o romance Os Naufrágios de Camões constitui uma peça literária fascinante.

Editora: Publicações Dom Quixote (2017)
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