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Crime em Ponta Delgada

O assassínio de um homem público, dirigente do PSD, cujo corpo é encontrado abandonado junto a uma praia da ilha de São Miguel, Açores, é um dos pretextos para um detetive da polícia iniciar um moroso trabalho de investigação sobre o crime e, fundamentalmente, sobre a geografia sentimental das ilhas.

O que poderia ser apenas um romance policial transforma-se, assim, numa novela fascinada pela magia insular — por aquilo que é designado como «um dos últimos lugares do mundo», as ilhas açorianas — «atravessada pela biografia obscura», controversa e fascinante do político assassinado, pelas razões e contradições da questão independentista e da autonomia insulares.

Crime em Ponta Delgada constitui o itinerário de um deslumbramento e de um abandono, tentando provar, ao longo das suas páginas, que são as coisas que não existem que, e uma forma ou de outra, melhor garantem a nossa sobrevivência. Ou seja, que é necessário criar ilusões para não morrermos.

Editora: Publicações Europa-América (1989)
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